Maria Fernanda Cândido é potência de filme que assume miopias calculadas.
Com o passar das décadas e a ampliação do culto popular à sua obra (ou pelo menos à obra que lhe atribuem nas redes sociais), Clarice Lispector se tornou uma espécie de “mulher elemental” da cultura brasileira. Não que suas narrativas difíceis e interiorizadas caibam confortavelmente nessa posição – e onde foi que Clarice coube confortavelmente, em toda a sua vida e seu legado? Há de se questionar, como se questiona, o quanto a experiência da filha de imigrantes ucranianos, branca, que passou a maior parte da vida em condições econômicas confortáveis, representa a feminilidade de um país perpassado por desigualdades e diversidades tão profundamente definidoras da nossa identidade.