O filme “A Paixão Segundo G.H.” é melhor que o romance no qual se baseia. É com imagens límpidas que o diretor Luiz Fernando Carvalho dá materialidade às opacas abstrações de Clarice Lispector.

O diretor é fiel à prosa turva e maçante da escritora. Tampouco barateia a trama, inventando falas ou personagens. O que o filme faz é acentuar cenas e temas para que se tornem os nervos da trama.

A “Paixão” do título não diz respeito ao amor romântico exacerbado. Refere-se aos Evangelhos, à via-crúcis do Nazareno, à sua morte inevitável para redimir os pecados da humanidade.