Luiz Fernando Carvalho e Maria Fernanda Cândido provocam o arrebatamento de Clarice Lispector usando a palavra falada
Fazer uma versão audiovisual de “A Paixão Segundo G.H.”, de Clarice Lispector, poderia bem ser um castigo destinado aos pecadores mais imundos no inferno de Dante.
Trata-se, afinal, de um dos romances mais introspectivos, menos imagéticos, da história da literatura brasileira —um mergulho sem paralelo no interior de uma mulher privilegiada, branca, rica, que descobre num espasmo, diante de uma barata morta, a pulsão de vida que é comum a ela e a tudo o que existe.