O desafio que o cineasta Luiz Fernando Carvalho se impôs parecia intransponível. Afinal, como transformar as angústias e reflexões de uma mulher, sozinha num enorme apartamento e frente ao “cadáver” de uma barata, em um filme que dura mais de duas horas?

Pois o diretor carioca, de 63 anos, criador inquieto e propenso a enfrentar imensos desafios, conseguiu transformar “A Paixão Segundo G.H.”, romance que Clarice Lispector publicou em 1964, em um filme original, envolvente e de imensa força poética.

Para chegar a tão bom resultado, o cineasta contou com a cumplicidade de sua protagonista, a atriz Maria Fernanda Cândido. Dona de beleza singular, a intérprete de G.H. mostra que Carvalho acertou em cheio ao convidá-la, 22 anos atrás, para o papel. Naquela época, Maria era apenas uma mulher de beleza rara, que se firmava como atriz na telenovela “Esperança”.