Durante o Festival do Rio 2023

Quando a escritora ucraniana, naturalizada brasileira, Clarice Lispector lançou sua obra “A Paixão Segundo G.H.” em 1964, ela não imaginaria que sua história fosse transposta ao cinema de forma tão poética e etérea pelo cineasta Luiz Fernando Carvalho, o mais metódico, mais estético e que mais transcende a própria imagem. E tampouco que sua personagem principal fosse “possuída”, literalmente, pela atriz Maria Fernanda Cândido. Sim. E ainda há quem diga que seus livros são fáceis de traduzir. Não, não são, pelo contrário, visto a quantidade de camadas existencialistas, que flertam explicitamente com o absurdo possível, com a realidade desmembrada nas ideias-pensamentos surreais e críveis (ao mesmo tempo), com a fantasia que evoca a metáfora da vida e seus símbolos pululantes de nossas sinapses mentais. Toda essa complexidade está na versão cinematográfica de “A Paixão Segundo G.H.”, que ganha a forma quase ipsis litteris, pela literalidade de suas palavras, de suas ações e de suas “viagens” a um psicológico-psicodélico.