A esta altura, mesmo quem não leu A paixão segundo G.H., de Clarice Lispector, sabe do que se trata: a escultora G.H., uma beldade da elite carioca, entra no quartinho da empregada recém-demitida e vivencia uma epifania às avessas ao se deparar com uma barata. Mergulha no coração selvagem da vida. Mais importante do que esse escasso entrecho é o que a escritora faz dele: uma busca desesperada de transcender os limites da linguagem verbal, por meio de uma escrita que se desfaz e refaz a todo instante.