Bonequinho aplaude de pé adaptação de Luiz Fernando Carvalho para livro de Clarice Lispector.

Se o espectador perder o chão, o fôlego, o prumo durante “A paixão segundo G.H.”, pode relaxar. Está no caminho certo traçado pela obra inspiradora de Clarice Lispector há 60 anos. Mesmo assim, convém contar com reações polarizadas. Súditos de GH, sem prancha de salva-vidas, deverão embarcar em trip quase alucinógena verbal, visual e sonora, enquanto hereges desavisados boiarão à deriva, eventualmente enfeitiçados — pela beleza do texto, pela estrutura multifacetada da narrativa e pelo magnetismo da entrega de Maria Fernanda Cândido.